quarta-feira, 5 de agosto de 2009

É difícil ter fé quando se tem conhecimento?


É difícil ter fé quando se tem conhecimento?

Essa é uma pergunta recorrente, porque sempre se ouve falar a razão e a fé não combinam. É como se fosse impossível ter fé e razão ao mesmo tempo. Mas será que isso procede?
É claro que existem aqueles sacerdotes das variadas religiões que usam a ignorância do povo para conseguir alcançar seus objetivos materiais, mas sempre existe um diferencial. Lembro uma vez, que eu ainda era adolescente, que fui a uma Igreja Batista com uma tia. Foi uma surpresa para mim, porque eu esperava ver uns crentes alucinados, berrando “aleluia” e sem qualquer conhecimento de nada. Foi um engano total. O pastor, muito simpático, fez um estudo da Bíblia. Mas não foi apenas uma leitura, foi um estudo mesmo, muito completo e até bastante imparcial. Desde esse dia eu passei a nutrir uma grande simpatia pela Igreja Batista, apesar da minha formação mais mística.

De uns tempos para cá tenho acompanhado vários debates, pois quero fazer meu mestrado baseado nesse tema: fé e razão. Pesquisei, pesquisei e pesquisei. Pesquisei tanto que até resolvi criar esse blog. E descobri coisas fascinantes. Pessoas das mais diversas religiões que mantém acesa a chama da fé sem se afastar dos princípios da razão.

Encontrei um pastor maravilhoso em Campinas, chamado Márcio Pinheiro. Ele realiza um culto sem apelar para aqueles dogmatismos tradicionais, cansativos. Leva seus fiéis a pensarem sobre questões éticas e morais. Foi com grande encanto que assisti a três cultos realizados por ele.

Foi com grande encanto também que encontrei o blog “umbanda em debate” (
www.umbandaemdebate.blogspot.com ), do sociólogo Douglas Fersan. A surpresa aí foi até maior, pelo fato do autor do blog ser um sociólogo. Esses acadêmicos quase sempre são marcados por um ceticismo tão ortodoxo que chega a parecer religioso. Mas com Douglas Fersan é diferente. Ele fala (escreve) sobre umbanda de maneira leve, com tranqüilidade e conhecimento de causa e com uma linguagem ao mesmo tempo culta e compreensível. Sempre buscando auxílio da história e no comportamento social, ele mostra que a umbanda é mais que uma religião, é resultado da magia que faz parte da cultura brasileira.

Transcrevo abaixo um pequeno trecho de uma entrevista que Fersan concedeu ao blog Espírito e Magia (
www.espiritoemagia.blogspot.com ):

"ESPÍRITO E MAGIA: Nunca ocorreu um conflito entre o sociólogo e o umbandista? Pode ser que não, mas num primeiro olhar, parece uma combinação estranha.
Douglas Fersan: Não existe esse conflito, pois eu acho que a Umbanda, como poucas religiões, é bastante pragmática. O olhar de sociólogo me faz não aceitar mistificações, o que é bastante positivo, além de aguçar a sede de conhecer e entender a Umbanda nas suas mais profundas raízes. Acho que essa combinação mais ajuda que atrapalha."

São duas vertentes opostas: o protestantismo de Márcio Pinheiro, aliado a seu carisma, e a umbanda de Douglas Fersan, com um cunho histórico e sociológico, mas são duas provas vivas de que a fé pode muito bem conviver com a inteligência e a razão.

4 comentários:

  1. Conheço pessoalmente o pastor Marcio Pinheiro. eu não sou protestante mas também partilho da opinião da autora do blog, Marcio Pinheiro é fenomenal.

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  2. Fui visitar o blog umbanda em debate do Douglas Fersan que a Carmem indicou. Realmente os textos dele são execelentes. Recomendo!

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  3. Acho que as pessoas ignorantes, julgam sem ter conhecimento.. já os espertos não acreditam em tdo q lêem.
    Belo post.. Parabéns..
    bjos.

    http://www.karinacosta1909.blogspot.com/

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  4. Muito bom o seu artigo, Carmem.
    Eu acompanho todos os artigos de Douglas Fersan, realmente é fantástico, um homem de visão. Sou umbandista e confesso que a minha religião é carente de pessoas que abordam nossos temas de forma tão clara e racional. Atualmente acho que só Douglas Fersan e Alexandre Cumino.


    Beijos

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